Como é Que África Pode Tornar-se Líder Mundial em Inteligência Artificial

Africa encontra-se num momento crucial na sua evolução tecnológica, pronta para aproveitar a Inteligência Artificial (IA) como uma ferramenta transformadora para o desenvolvimento.

Com uma população jovem e cada vez mais instruída, um ecossistema de startups tecnológicas em expansão e desafios prementes em sectores como a agricultura, a saúde e a educação, o continente tem o potencial de liderar a criação de soluções de IA adaptadas às suas necessidades únicas, de acordo com Fábio Scala, citado pelo portal Further Africa.

A fonte destaca iniciativas como a Deep Learning Indaba anual, uma conferência para a aprendizagem automática africana, que promove a colaboração entre investigadores de IA, realçando os progressos que estão a ser feitos. No entanto, alerta que o caminho para se tornar uma potência global de IA exige a superação de obstáculos significativos, incluindo financiamento inadequado, infra-estruturas limitadas e estratégias regulamentares desarticuladas.

Uma das questões mais prementes é a falta de investimento suficiente em infra-estruturas de IA e recursos de dados. Embora os investimentos globais de capital de risco em startups de tecnologia africanas tenham atingido 4,5 mil milhões de dólares em 2023, o financiamento específico para projectos de IA continua a ser limitado, com os governos locais a cobrarem frequentemente taxas exorbitantes pelo acesso a dados públicos. Esta escassez de recursos dificulta o desenvolvimento de sistemas de IA adaptados aos contextos africanos, particularmente para preservar e integrar as línguas locais na tecnologia”, afirma Fábio Scala.

Outro destaque promissor é a criação do InkubaLM, um modelo de linguagem que suporta as línguas africanas, mas requer um apoio muito maior para escalar e impactar as comunidades em todo o continente.

Segundo Scala, a incerteza regulamentar é outro grande desafio. “África carece de uma abordagem unificada para governar a IA, com apenas um punhado de nações com estratégias formais de Inteligência Artificial. Uma recente divisão entre dois órgãos da União Africana (UA) sobre quadros de IA continentais concorrentes sublinha a dificuldade de alinhar os objectivos políticos. Sem uma estratégia regulamentar coesa, África arrisca-se a adoptar modelos externos que não respondem às suas necessidades específicas”. Em vez disso, os decisores políticos devem dar prioridade a quadros internos que capacitem os inovadores locais e se alinhem com os objectivos de desenvolvimento mais amplos do continente, como defendem os investigadores Vukosi Marivate e Timnit Gebru, citados pelo Further Africa.

Para desbloquear todo o seu potencial de IA, o continente deve, na visão de Fábio Scala, promover uma maior colaboração entre governos, universidades e intervenientes do sector privado. “Iniciativas como o compromisso de 5,8 milhões de dólares da Google para a formação de competências em IA no Quénia, na Nigéria e na África do Sul são um passo na direcção certa, mas devem ser complementadas por investimentos locais em educação, investigação e infra-estruturas”.

“Além disso, é crucial um apoio mais robusto a organizações de base como a Masakhane, que promove o processamento de linguagem natural para as línguas africanas. Ao dar prioridade a estratégias inclusivas e orientadas localmente e ao garantir um acesso equitativo aos recursos, África pode posicionar-se não só como participante, mas também como líder na revolução global da IA”, conclui.

Fonte: Further Africa

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